Herbert Spencer

O conceito de evolução natural como princípio subjacente a todas as ordens da realidade constitui o núcleo central do sistema teórico que Spencer desenvolveu.

Herbert Spencer nasceu em Derby, Derbyshire, Inglaterra, em 27 de abril de 1820. Educado na casa paterna, adquiriu como autodidata uma boa formação científica. Entre 1837 e 1841 trabalhou como engenheiro nas ferrovias britânicas. Posteriormente colaborou em diversas publicações até que, em 1848, foi nomeado subdiretor do The Economist. Alcançou prestígio nos círculos intelectuais com a publicação de Social Statics (1851; A estática social), obra na qual deu à noção de evolução social um tratamento que continha o germe de seu pensamento posterior. Em 1853, recebeu herança de um tio, deixou o emprego e se dedicou ao estudo dos fenômenos sociais, que tratou sob perspectiva científica. Expôs a primeira parte desses estudos em The Principles of Psychology (1855; Princípios de psicologia), obra que antecedeu a publicação das teorias evolucionistas de seu compatriota Charles Darwin. Nesse trabalho, Spencer indica a possibilidade de, por meio do princípio da evolução, oferecer explicação total da realidade, bem como realizar a síntese das diferentes ciências.

Spencer concebeu a realidade toda como produto do desenvolvimento perpétuo de uma força de caráter incognoscível manifestada na evolução do que é de início homogêneo, indeterminado e simples, para a heterogeneidade, determinação e complexidade. Assim, no âmbito físico, as nebulosas dão origem aos sistemas planetários, da mesma maneira que as formas biológicas unicelulares evoluem sempre para organismos mais complexos e aperfeiçoados. Processo semelhante observa-se nas sociedades humanas, as quais evoluíram das hordas primitivas para as sociedades militares, cuja coesão se baseava na força, até chegar às industriais, baseadas em contrato voluntário entre indivíduos. Em conseqüência, Spencer preconizou um modelo liberal sem nenhum tipo de intervencionismo estatal como única forma de respeito à liberdade individual. Esta, por sua vez, é a garantia da ordem social, posto que a moralidade é a aspiração da consciência humana a uma harmonização cada vez mais perfeita entre homem e sociedade. Natureza e espírito, portanto, constituem os aspectos externo e interno da mesma realidade, que tem sua razão de ser no próprio impulso evolutivo.

Dedicou o resto da vida ao desenvolvimento de uma série de volumes, cujo conjunto denominou The Synthetic Philosophy (Filosofia sintética) e que compreende: First Principles (1862; Primeiros princípios), dois volumes de The Principles of Biology (1864-1867; Princípios de biologia), a edição ampliada de The Principles of Psychology (1870-1872), três volumes de The Principles of Sociology (1876-1896; Princípios de sociologia) e dois volumes de The Principles of Ethics (1892-1893; Princípios de ética). Herbert Spencer, cujo pensamento influenciou as filosofias vitalistas posteriores, morreu em Brighton, Sussex, em 8 de dezembro de 1903.

     
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