Arthur Schopenhauer

A filosofia de Schopenhauer é profundamente a-histórica e anti-histórica. Daí sua oposição tenaz a Hegel, o pensador da história. Schopenhauer é irracionalista e sua filosofia é romântica. É por isso que ela culmina na estética e considera como suprema manifestação do espírito humano, libertado das forças más da vontade, a música.

Arthur Schopenhauer nasceu em Danzig, Prússia (atual Gdansk, Polônia), em 22 de fevereiro de 1788. De família rica, estudou nas universidades de Göttingen e Jena. Formou-se nesta última em 1813 e, em 1820, obteve a docência em Berlim. Por atacar asperamente Hegel, então o filósofo mais influente da Alemanha, ficou isolado. Em 1831 retirou-se para Frankfurt, onde levou vida solitária, totalmente desconhecido como escritor e filósofo. Só depois de 1850, numa época de decepção geral na Europa, sua filosofia pessimista começou a chamar a atenção e suas obras foram traduzidas em várias línguas.

Obras e Pensamento

A obra principal de Schopenhauer é Die Welt als Wille und Vorstellung (1819; O mundo como vontade e representação). Suas qualidades como brilhante escritor distinguem os dois volumes de Parerga und Paralipomena (1851; Bagatelas e digressões). Schopenhauer parte do pensamento de Platão e Kant, mas a fonte principal de suas idéias é o budismo hindu.

A tese básica da perspectiva filosófica de Schopenhauer é a de que o mundo só é dado à percepção como representação. Assim, os objetos do conhecimento não têm realidade subsistente por si mesma. São meramente o resultado das condições gerais de suas possibilidades: o espaço, o tempo e a causalidade. Sobre a causalidade assinala Schopenhauer que ela se mostra como razão suficiente na relação que encadeia as impressões sensíveis e que, portanto, se refere ao acontecer no reino inorgânico e orgânico da natureza; na relação lógica com que se encadeiam os juízos do entendimento; nas intuições puras da continuidade (espaço) e de sucessão (tempo); e na motivação voluntária do sujeito.

Esses quatro aspectos da causalidade são as quatro raízes do princípio da razão suficiente. A representação é, pois, enganosa. O ser verdadeiro é a vontade. Em nível individual, ela se revela pelo próprio corpo, que não é senão sua própria objetivação. A vontade é irracional. O sujeito quer não por que tenha razão para querer, mas cria razões porque quer. A vontade é a essência de todas as coisas. Todas as coisas são formas de sua objetivação. Ela se manifesta em nível inorgânico, orgânico e consciente -- onde a causalidade mecânica é substituída pela motivação, e onde o mundo é simultaneamente dado como representação e como vontade.

Pessimismo

A vontade é a origem do mal e da dor. A consciência descobre a vontade como mal, mas é graças a essa descoberta que ela tem o dom de libertar. Essa libertação assume várias formas, incluindo a própria rejeição consciente da vida. Caracteriza-se, desse modo, a perspectiva filosófica proposta como essencialmente pessimista. Não obstante, Schopenhauer entende que a arte como contemplação proporciona outra forma de libertação, embora momentânea, sendo nisso superada pela ética do pessimismo.

Schopenhauer exerceu depois de 1850 forte influência sobre Wagner, cujos dramas musicais (especialmente Tristan und Isolde e Der Ring des Nibelungen) são schopenhauerianos. Sua influência, por intermédio de Wagner, exerceu-se fortemente sobre a formação de Nietzsche. Os wagnerianos e os simbolistas franceses de 1880 foram schopenhauerianos. No começo do século XX, são significativas as analogias entre as teses de Schopenhauer e a teoria dos instintos formulada por Sigmund Freud. Arthur Schopenhauer morreu em Frankfurt em 21 de setembro de 1860.

     
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