Al-Ghazali

Autor de uma das primeiras obras traduzidas do árabe para o latim, Maqasid al-falasifah (Os objetivos dos filósofos), que teve grande influência na Europa do século XII, al-Ghazali atraiu a atenção do Ocidente com o relato de sua própria evolução espiritual, que o conduziu à experiência mística.

Abu Hamid Mohamed ibn Mohamed at-Tusi al-Ghazali nasceu em Tus, nos arredores da cidade iraniana de Meshed, em 1058. Iniciou sua formação na cidade natal e depois estudou em Jorjan e Nishapur, onde foi discípulo de al-Juwayni, imã das cidades santas de Meca e Medina. Em 1091 passou a ensinar em Bagdá, a convite do vizir dos sultanatos seldjúcidas. Quatro anos mais tarde abandonou o cargo, doou seus bens à família e partiu em peregrinação a Meca.

De volta a Tus, em 1096, cercou-se de discípulos e levou uma vida virtualmente monástica, decisão que defendeu na obra autobiográfica al-Munqidh min ad-dalal (O que liberta do pecado). Em 1106, seus discípulos o convenceram a voltar a ensinar, dessa vez em Nishapur, sob o argumento de que seria o instrumento da renovação que deve ocorrer no Islã a cada início de século. Desenvolveu intensa atividade intelectual, em grande parte nas áreas da jurisprudência e da teologia, mas concluiu que a experiência mística é superior ao conhecimento teológico.

A principal obra de al-Ghazali é um conjunto de quarenta livros nos quais expõe a doutrina e a prática do Islã e estabelece as bases de uma vida de devoção que conduz aos mais altos graus do sufismo (misticismo islâmico). Al-Ghazali ensinou em Nishapur até 1110. Voltou então a Tus, onde permaneceu até a morte, em 18 de dezembro de 1111.

     
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