Arte Popular

No sentido mais comum, a arte popular é a criação de artes plásticas, musical e poética de pessoas das camadas sociais carentes de instrução e afastadas da população urbana e industrial. Como a arte primitiva, a arte infantil e a dos doentes mentais, a arte popular se faz à margem do processo cultural expresso nas artes, nas idéias e costumes da civilização contemporânea.

Constituem produtos de arte popular, no campo das artes plásticas, os objetos feitos com fins utilitários, decorativos, religiosos, lúdicos e expressivos, como ferramentas, utensílios domésticos, a própria casa e seu equipamento, roupa, jarros, toalhas bordadas ou tecidos, rendas, papéis cortados, estatuetas de animais e de figuras humanas, xilogravura, imagens religiosas, ex-votos, objetos de devoção, brinquedos etc. É uma produção artesanal destinada a satisfazer necessidades materiais e espirituais inerentes a determinadas faixas da população, em geral de parcos recursos econômicos e isoladas dos grandes centros urbanos.

Os estilos e conteúdos desses objetos exprimem o gosto, as atividades profissionais e os costumes de seus produtores e consumidores. Tanto estes como aqueles, em condições normais, não vêem tais produtos como arte e sim como coisas necessárias à vida diária, manifestações de seus sentimentos e de suas habilidades. Muitas vezes se confundem produtor e consumidor, pois a expressão tende a ser impessoal e coletiva, e a criação, como a da criança, espontânea e acrítica.

Há uma constante interação entre arte popular e arte culta. Em países como o Brasil, a arte popular pode subdividir-se segundo os diferentes povos ou culturas envolvidos: a arte indígena, por exemplo, não só constitui um todo à parte como mostra características muito distintas de acordo com a tribo em que se origina. Afora esses casos especiais, deve-se considerar como categoria básica dos produtores de arte popular a dos artesãos de tradição. São os que herdaram tradições locais ou de ofício, sendo sua evolução determinada dentro de certas constantes sociais. São assim os ceramistas, cesteiros, bordadeiras, rendeiras, latoeiros, santeiros, entalhadores, marceneiros etc.

O marginalismo da arte popular no que diz respeito à cultura das classes instruídas não é apenas uma característica, mas condição necessária à sua sobrevivência. Esse isolamento, no entanto, nunca foi absoluto e, com o tempo, tendeu a romper-se. É certo que ainda hoje, mesmo na Europa, comunidades de caráter rural e de atividade artesanal muito arraigada coexistem com a civilização industrial. Tanto quanto se pode prever, porém, essas comunidades acabarão por ser absorvidas e, com elas, as tradições artísticas que representavam. Dentro desse processo, as manifestações de natureza expressiva, decorativa e religiosa, mais que as utilitárias, oferecem resistência à incessante cultura dos centros urbanos, que tende a configurar o fenômeno estudado como cultura de massa, especialmente a partir do desenvolvimento dos modernos meios de comunicação.

Veja também:
História e Estilo

     
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