Vitalismo

Concepção metafísica da vida situada em posição intermediária entre materialismo e espiritualismo, o vitalismo remonta às origens mais remotas das doutrinas filosóficas gregas.

O vitalismo é uma doutrina que considera haver em cada indivíduo um princípio vital que, por energia própria, gera a vida. Não redutível à alma ou à mente, a força vital é peculiar aos organismos vivos e difere de todas as outras forças encontradas fora das coisas vivas. Controla o desenvolvimento, a forma do organismo e a direção de suas atividades. A doutrina opõe-se ao mecanicismo e ao organicismo; rejeita a possibilidade de reduzir o orgânico ao inorgânico, isto é, afirma que os processos biológicos ou orgânicos são irredutíveis aos simples fenômenos bioquímicos que neles ocorrem ou lhes são concomitantes. Esses processos explicam-se pela presença de um princípio vital ou enteléquia.

Para os gregos, o princípio vital seria distinto não só da alma pensante como das propriedades físico-químicas do organismo. Esse conceito expressa-se no dualismo de Pitágoras e Aristóteles, que distingue a psyché ou princípio vital, irracional e vegetativo, que rege os fenômenos da vida, e o nous, a alma, responsável pela razão e exclusivo da espécie humana.

As teorias vitalistas ressurgiram no Renascimento com Paracelso. Sob forma científica moderna, o vitalismo teve expressão na escola de Montpellier, no século XVIII, na qual se destacaram Théophile de Bordeu e Paul Joseph Barthez. Consideravam os fenômenos vitais como efeitos imediatos de uma força sem similar fora dos organismos vivos.

O vitalismo sofreu o primeiro grande impacto com a síntese da uréia em laboratório, em 1828, seguida de outras sínteses. Reduziu-se então à idéia de direção ao defender que a força vital apenas orienta as forças físico-químicas produtoras dos fenômenos vitais. Na epistemologia contemporânea, Claude Bernard defendeu a especificidade dos fenômenos vitais, pois a dimensão físico-química não é capaz "de harmonizar os fenômenos na ordem e na sucessão relativas especialmente aos seres vivos". A biologia tende a defender aspectos positivos do vitalismo no estudo da especificidade dos fenômenos bioquímicos.

     
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