Espiritualismo

Para os espiritualistas, existem motivos, necessidades e interesses propriamente espirituais, que nada têm a ver com os da vida animal ou corporal.

Espiritualismo é a denominação genérica de doutrinas religiosas ou filosóficas para as quais a essência da realidade é o espírito, entendido quer como substância psíquica, consciência universal, pensamento puro, liberdade irrestrita, vontade absoluta ou divindade todo-poderosa. O espírito é então a realidade primordial, o bem supremo, a fonte de todos os valores e o unificador das consciências finitas. Transcende a natureza material, que se reduz à aparência sensível ou manifestação da substância imaterial, infinita.

O espiritualismo passou assim a designar as correntes de pensamento que afirmam a existência de uma realidade imaterial. O dualismo e o monismo, o teísmo e até certos tipos de ateísmo, o panteísmo, o idealismo e outras tendências filosóficas são consideradas compatíveis com o espiritualismo, pois admitem uma realidade independente da matéria e superior a ela. Foram espiritualistas Platão, por seu conceito de alma, e Aristóteles, por distinguir o intelecto ativo do passivo e por conceber Deus como realidade pura. Em sentido mais amplo, podem ser considerados espiritualistas o neoplatônico Plotino e os racionalistas Descartes, Malebranche e Leibniz, entre outros.

Espiritualismo Contemporâneo

A partir do século XIX surgiu na Alemanha, na França, no Reino Unido e na Itália várias doutrinas monistas, dualistas, pluralistas, teístas, panteístas e agnósticas com o objetivo comum de superar o positivismo, materialismo e naturalismo predominantes na época, opondo o mundo dos valores espirituais ao mundo da natureza.

As doutrinas espiritualistas contemporâneas partiram do método introspectivo de Montaigne, Maine de Biran e outros, e caracterizaram-se pela concepção finalista e religiosa do mundo. Como estas, diversos sistemas esotéricos e ocultistas, que remontam aos pitagóricos, também se difundiram como modalidades de espiritualismo. As chamadas "necessidades da alma", "exigências do coração" e "esperanças humanas" eram tomadas por guias e objetivos da investigação filosófica, definida como recolhimento interior e atenção ao testemunho interior da consciência.

Na ética e na sociologia, espiritualismo significa a existência, para o indivíduo e para a sociedade, de duas forças opostas: a alma e o corpo. Na perspectiva psicológica, o espiritualismo afirma que as representações, as operações intelectuais e os atos volitivos não podem ser totalmente explicados pelo mecanismo fisiológico e exigem a participação de um princípio superior, o da alma.

     
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