Ecletismo

Por ocasião de crises históricas e culturais, é comum que o pensamento se volte para sínteses de partes heterogêneas das várias doutrinas do passado.

Dá-se genericamente o nome de ecletismo a posições filosóficas, metodológicas ou doutrinárias caracterizadas pela justaposição crítica e pela síntese de teses conciliáveis de sistemas filosóficos diversos, conforme determinados critérios de verdade. O ecletismo manifestou-se freqüentemente na filosofia greco-romana e no Renascimento. Em sentido estrito, o ecletismo foi uma fase da filosofia moderna, da primeira metade do século XIX, que ocorreu principalmente na França e se caracterizou pelo uso do método introspectivo, com o propósito de fundamentar na consciência e na vida espiritual a tradição religiosa e política.

O ecletismo francês foi influenciado pela filosofia do senso comum de Thomas Reid e da chamada escola escocesa, que retomou a reflexão ou experiência interna empregada por Montaigne, Pascal, Descartes e Malebranche, desvalorizada depois pelo Iluminismo. Seu primeiro representante foi Maine de Biran, que fundamentou a vida psíquica na percepção que o eu tem de si mesmo. Esta realidade primordial é a consciência, fonte de todas as faculdades, mesmo as intelectuais.

Victor Cousin foi chefe da escola eclética francesa, filosofia oficial do período situado entre julho de 1830 e a queda da monarquia constitucional, em 1848. Para justificar os testemunhos da consciência, Cousin recorre a Deus, princípio que garante a fundamentação das verdades eternas, dos princípios imutáveis e dos valores absolutos.

     
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