Determinismo

"E a primeira manhã da criação escreveu / o que a última alvorada do dia do juízo lerá." Com esses versos, o poeta persa do século XII Omar Khayyam expressou um conceito determinista do universo.

Chama-se determinismo a teoria filosófica segundo a qual todos os acontecimentos do universo obedecem a leis naturais de tipo causal, ou seja, a natureza, a sociedade e a história se subordinam a leis e causas necessárias. As concepções deterministas podem ser rastreadas no atomismo grego do século V a.C., mas no sentido moderno só se estabeleceram no século XIX.

As doutrinas deterministas, em geral, se encontram vinculadas a explicações mecanicistas da realidade. A formulação determinista clássica foi feita pelo físico francês Pierre-Simon Laplace na Théorie analytique des probabilités (1812; Teoria analítica das probabilidades), em que afirma que, se num momento dado fossem conhecidas todas as forças da natureza e o estado de cada um de seus componentes, seria possível determinar tanto o passado quanto o futuro mediante análise matemática.

O que distingue essencialmente o determinismo de outras teorias não é a aplicação da relação de causalidade, mas o uso extremado desta, ao supor que as mesmas causas, em circunstâncias iguais, produziriam sempre os mesmos efeitos. Teses como o princípio de incerteza, de Werner Heisenberg -- segundo o qual é impossível conhecer ao mesmo tempo a posição e a energia de uma partícula subatômica -- e a teoria quântica mantêm a noção de causalidade, mas negam a noção de previsibilidade própria do modelo clássico da física mecanicista.

Os deterministas radicais estendem o determinismo da natureza às ações humanas, que seriam tão condicionadas e inevitáveis como os fenômenos naturais. A essa postura moral se opôs Kant, no fim do século XVIII, para quem o determinismo se aplica aos fenômenos, mas no campo ético existe o livre-arbítrio.

A conseqüência mais importante do determinismo radical é a negação da possibilidade de agir livremente, o que, segundo os defensores dessa teoria, não exime o homem da responsabilidade sobre seus atos, porquanto sempre será possível prever os resultados destes. Esse conhecimento se transforma em nova causa da ação. A concepção determinista foi combatida por filósofos existencialistas, para quem a liberdade é fator indissociável da condição humana.

     
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