Metafísica

Embora nem todos os autores coincidam na classificação das disciplinas filosóficas nem nos conteúdos específicos que lhes correspondem, de maneira geral a tendência é distinguir, em função de seus diferentes objetivos e métodos, cinco grandes ramos: metafísica, teoria do conhecimento, lógica, ética e estética. Cada um desses ramos fundamentais, que têm diversas subdivisões, acha-se estreitamente relacionado aos demais, e todo sistema filosófico que pretenda oferecer uma compreensão unitária e abrangente da realidade aspira a integrá-los num conjunto harmônico.

De acordo com a terminologia tradicional estabelecida por Aristóteles, a metafísica ou filosofia primeira constitui a parte mais importante de toda doutrina filosófica, já que investiga os princípios e causas últimas da realidade, a essência do ser ou "o ser como ser". Portanto, as restantes disciplinas ou filosofias secundárias remetem-se a ela em última instância. Pode-se entender esse "ser como ser" de duas maneiras, que dão lugar a duas disciplinas: se se considera como ser aquele "comuníssimo" ou subjacente a todos os seres particulares, seu estudo deve partir de uma análise formal e abstrata da realidade e se denomina ontologia ou metafísica geral; se se interpreta como o ser supremo ou causa transcendente da realidade, isto é, Deus, seu estudo recebe o nome de teodicéia ou metafísica especial.

Convém assinalar, não obstante, que a teologia, no sentido que lhe conferiram o judaísmo e outras religiões monoteístas -- cristianismo, islamismo -- não pertence ao âmbito da metafísica, já que, enquanto a metafísica pretende alcançar o conhecimento do transcendente sem pressupostos e por meio da razão natural, a teologia parte da verdade revelada. Na tradição ocidental, de qualquer forma, filosofia e teologia recorreram ao mesmo aparato conceitual.

No pensamento moderno, tende-se a dar o nome de metafísica a toda filosofia especulativa que se ocupe de princípios não-perceptíveis diretamente de modo empírico, como "alma", "essência" ou "absoluto", ou que elabore concepções do mundo não suscetíveis de demonstração científica. Assim, na oposição clássica entre idealismo e materialismo, as escolas contemporâneas de tradição empirista -- positivismo, filosofia analítica -- tenderam a negar a validade da metafísica como ciência, enquanto correntes como o irracionalismo, o existencialismo e o intuicionismo, embora discordem dos critérios dogmáticos da metafísica tradicional, admitem o caráter de certo modo metafísico de todo empreendimento filosófico.

     
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